O Blog Listas Literárias leu A rainha vermelha, de Victoria Aveyard publicado pela editora Seguinte; neste post as 10 considerações de Douglas Eralldo sobre o livro, confira:

1 – Das mais recentes séries de aventura e fantasia juvenil, A rainha vermelha apresenta-se de forma peculiar aos leitores, com um universo um tanto diferente dos tradicionais da fantasia, mas com personagens cunhados pelos moldes da fantasia épica, o que dá voz um tanto única ao livro ao mesmo tempo que dialoga com diferentes criações da cultura pop;

2 – E para falar desta construção peculiar podemos principiar pelo cenário do universo de A rainha vermelha. Inicialmente podemos crer numa tradicional narrativa de fantasia épica com seus palácios, castelos e fortaleza – seus reis e rainhas, também, é claro – moldada no imaginário medieval; e na verdade o temos, o medievo que tanto caracteriza tais narrativas é perceptível, especialmente quando olhamos as casas e suseranias que estruturam o corpo social do romance, entretanto, no avançar da narrativa vemos o desfraldar de certas tecnologias contemporâneas que imprime certo ar steampunk ao livro, mas sem o ser;

3 – Além disso, temos as mutações que organizam as castas e as estruturas de poder na obra, momento em que o romance de fantasia épica é travestido com boa dose de influência dos quadrinhos, mas especificamente, os X-Men, de modo que no livro temos mutantes num cenário aparentemente medieval; uma mescla no mínimo curiosa;

4 – É nesse universo distinto e curioso que habita a protagonista e narradora, Mare, uma moradora de sangue vermelho, no romance, o tipo social de menor prestígio e fortemente oprimido pelos prateados, seres com o sangue de prata e que controlam as estruturas sociais não apenas pelas riquezas, pelo poder político, mas especialmente pelos talentos especiais com os quais os prateados são beneficiados. Para piorar a situação, o reino em que mora Mare está em guerra com outro reino prateado, de modo que os vermelhos são dizimados também pela guerra;

5 – Mas como de praxe nessas narrativas, a jovem e irriquieta ladra picaresca Mare será tocada por acontecimentos capazes de alterar todos os rumos de sua vida, iniciando por uma improvável presença na corte prateada a descoberta de poderes os quais não deveria possuir, afinal, pessoas com sangue vermelho eram incapazes de tê-lo;

6 – Vale dizer que Mare enquanto narradora mostra-se uma figura um tanto reticente ao mesmo tempo revoltada com as situações que acaba enfrentando. Do nada se vê numa intrincada roda dos jogos do poder e cuja inocência da plebeia pode cobrar um alto preço. Ao leitor, contudo, a natureza queixosa da narradora, por vezes pode chamar a atenção, mas não menos que sua ingenuidade que apresenta-se curiosamente contrastando com os muitos clichês do gênero que tornam ao leitor grande parte dos acontecimentos um tanto previsíveis, ainda que a narradora navegue por sombras indistintas;

7 – Contudo, deve-se ressaltar a firmeza e força com que Mare acaba lidando com as coisas, a despeito de sua natureza queixosa e por vezes quase que resignada ao desfecho trágico e iminente. Mare convence como protagonista, assim como os demais personagens acabam convencendo em seus papeis, especialmente Maven e Elara. A bem da verdade pode-se destacar que os personagens são boas construções em A rainha vermelha;

8 – Com isso os leitores têm pela frente uma narrativa dinâmica marcada especialmente pela ação. O livro é marcado por cenas, muitas delas que procuram pelo fantástico dos espaços nas arenas e nos treinamentos com forte demanda da imaginação visual dos leitores; Além disso, o equilíbrio da ação com o tramar das intrigas e reviravoltas da trama fazem da leitura bom atrativo;

9 – Porém, se algo ainda incomoda a este leitor nestas narrativas é a permanência do messianismo, seja masculino ou feminino. Quero dizer aqui que as obras a despeito de tentarem propor uma revolta dos oprimidos para com os opressores como aparentemente o fazem, são totalmente pressas à figura messiânica de um escolhido ou escolhida. Além disso esses escolhidos não partem de suas condições naturais, por exemplo, seria muito mais revolucionário que os vermelhos da narrativa se insurgissem sem a presença de poderes especiais, inclusive a solução está no próprio livro quando revela a tecnologia da Aurora. Mas quando se opta por produzir heróis especiais, tão escolhidos e especiais quanto os tiranos de outrora, sinto que algo se perde na mensagem;

10 – Mas enfim, A rainha vermelha de modo geral é uma boa e animada leitura. Porém, cabe dizer que também como sempre no gênero, o primeiro livro é sempre o princípio da verdadeira história, um prólogo para narrativas seriadas, uma apresentação. Nesse caso uma apresentação bem-sucedida, afinal, ao final do livro o leitor fica fisgado pelo que virá na sequência pois que temos no desfecho tão somente a aurora, o raiar de novos acontecimentos. A promessa de muito mais por vir.

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